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Adelir Carmen e a cesárea abaixo de armas

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Não sei se vocês estão por dentro de uma grande polêmica que está rolando: Adelir Carmen, uma mãe que foi tirada de sua casa por policiais armados e uma ação judicial que pretendia resguardar a sua saúde e de sua filha, ação esta articulada pela médica que a atendeu na unidade de saúde, e uma juíza da cidade.

Primeiro, gostaria de pontuar algumas coisas: Adelir estava com 40 semanas de gestação (ao contrário de 42 como a médica a havia informado, e à imprensa), já havia passado por duas cesarianas e o bebê estava sentado. Nenhuma dessas situações são contra-indicação para parto natural, mas há que se convir que as três juntas podem assustar. Principalmente no nosso país onde mais de 55% dos partos são césares (a OMS recomenda valores não maiores que 15%, e essa situação é bem diferente em países como Canadá, França, EUA). Esse tipo de estatística pode pontuar uma coisa: nossos obstetras não estão preparados para as situaçoes complicadas que podem advir com o parto natural, ou seja, no primeiro empecilho, cesárea nelas!

Esse problema, toda essa discussão, englobam um aspecto muito maior na saúde pública e privada do nosso país: a medicina brasileira paga muito mais caro para a doença do que para a saúde. No geral! Um parto normal, onde o médico deve ficar muito mais horas em contato com a paciente, é muito pouco remunerado pelo SUS e pela medicina privada. Sendo que ele é, comprovadamente, muito melhor para a mãe e para o bebê. Na minha área, odontologia, sou testemunha de que os convênios deixam a menor tabela para a odontopediatria, que é o profissional que vai agir na prevenção, e que vai demorar muito mais tempo em uma consulta do que levaria com um paciente adulto. Ou seja, valorizamos a doença acima de tudo.

Acho muito chato o radicalismo. Odeio mães xiitas: se não fez parto normal é porque é desinformada ou acomodada, se não amamentou é porque não teve paciência, se dá suco de caixinha é preguiçosa… Acho que o mais importante de toda essa situação é o estado querer tomar um direito, que é da mãe… E se fosse o contrário? Uma mãe quisesse fazer cesárea, por medo, por não querer sentir dor, por sentir-se mais confortável… E fosse obrigada a passar pelo parto normal, sem ter sido preparada e orientada para isso…

O bebê não estava em risco, a mãe não recusou-se a ir ao hospital, apenas tentaria chegar em um momento mais favorável ao tipo de parto que ela escolheu, mas faria a cesárea se não houvesse jeito…

Será que foi inexperiência da médica? Pode ser… Ações tão mecanizadas de parto cesariana acomodaram nossos médicos, na posição confortável de marcar o parto na conveniência deles e das mães. Mas alguém perguntou pro bebê se estava bom pra ele também? Porque não é este o principal interessado no melhor momento pra estreiar neste mundo?

Fiquei muito triste por Adelir… Não lhe foi lhe dado o tempo que ela queria, e que ela tinha direito. Seu marido não pode acompanhar sua cirurgia, ela teve que passar por tudo isso ao lado de pessoas estranhas. E isso, por si só, já me deixa solidária a sua dor. Não quero erguer bandeiras a favor deste ou àquele tipo de parto, como o crescente movimento nas redes sociais #SomosTodasAdelir .
Mas quero levantar uma bandeira em favor da mulher: que ela tenha autonomia sobre o seu corpo, e possa, assim, decidir o que é melhor para si.

A informação é o caminho para tudo: para evitar cesáreas desnecessárias, abortos desnecessários, filhos que não são queridos…

Saiba mais sobre o caso aqui

20140409-132858.jpg Pelo menos mãe e filha passam bem!

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