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E há 50 anos…

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Hoje, ou melhor, de hoje para amanhã, é época de lembrar que, há 50 anos atrás o Brasil entrava em um período, se não sombrio, pelo menos controverso de sua história.

Passei a minha vida ouvindo meu pai dizer que a minha geração deveria dar muito valor ao direito a democracia, uma vez que muita gente morreu defendendo estes ideais. E, talvez por isso, tendo pai, tios, tias que viveram os anos de chumbo em Belo Horizonte, este tenha sido um assunto que sempre me despertou muito interesse.
Lembro que o primeiro livro “de adulto” que eu li, Feliz Ano Velho (1982), de Marcelo Rubens Paiva, sempre me deixou encucada em como uma família pode ter sobrevivido sem saber notícias do pai. Porque saber que morreu dói, é triste, mas não saber o que se passou deve ser muito mais angustiante.
E assim como a família do autor, muitas outras, na maioria anônimas, passaram por angústias semelhantes, de terem seus pais, mães, filhos, tirados de casa por uma polícia que deveria nos defender, mas que, naquele momento, servia a interesses internacionais e de poderosos.
E saber que daquele momento, iriam muitas vezes para sessões de tortura, era a tragédia familiar instalada.

Em particular, quero falar das mulheres que passaram por isto. Assisti um documentário onde muitas delas relatavam as sessões de tortura física e psicológica a que eram submetidas, nuas, muitas vezes violentadas, mas a fala da maioria dizia da força que tinha para resistir: esta força vinha dos seus filhos! E realmente, filho faz isso com a gente: nos dá gás para trabalhar mais, para aguentar o sono, a fome, e para aquelas mulheres, dava força para viver.

Não podemos também esquecer que a tortura ainda existe em nosso país. Quem não lembra do filme Tropa de Elite (2007), quando o Cap Nascimento coloca um saco na cabeça de um “suspeito” de tráfico, para que ele delate os comparsas. Tudo muito natural. Ladrão tem que morrer, nem precisa de julgamento. Pouco diferente dos terroristas de 1968.

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Não podia deixar de me lembrar aqui desse período. Faz parte da história do Brasil. Faz parte da história de muitas famílias. Faz parte da história do lugar onde trabalho, afinal, hoje sou militar, e vivemos em uma época diferente, onde tudo é muito certinho na caserna.

E para aqueles que desejam os tempos de 50 anos atrás de volta, só tenho a lamentar, porque, com certeza, naquele período, eu não poderia estar escrevendo nada disso, sem o risco de ser tirada do convívio de minha filha, minha família e meus amigos. E esse simples direito de poder dizer o que penso, me basta para querer criar minha filha nos dias de hoje, com a esperança de que ela nunca seja “suspeita” de um crime. Espero também que qualquer “suspeito” possa um dia ter um julgamento justo e punição adequada. São muitas esperanças… Mas sem ela a vida é bem sem graça…

Beijos, Lika.

Dica de filme:

Livros que valem a pena:

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