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Feliz Dia dos Namorados

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Bem gente, o post de hoje tem que falar de amor, né?
Eu sei, é uma data comercial, feita pra aquecer o mercado, quem ama, ama todo dia…
Mas, demorei tanto tempo pra achar a tampa da minha panela, que sempre é bom fazer uma gracinha nessas datas, né?
Ontem assistimos juntos ao filme Odeio O Dia dos Namorados, com a Heloísa Perissé. Lembrei de uma fase negra da minha vida, onde todas as minhas amigas estavam namorando, e eu curtindo uma dor de cotovelo por uma criatura que me dera um pé na bunda (e quem nunca?). E meu discurso era bem parecido com o da Débora do filme… Na verdade, era até pior… Eu dizia que amor não levava ninguém pra lugar nenhum… Que a vida era discórdia…
Que amargura, né?????

Eu não acreditava em Chico, que já dizia:
“Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar”

E ele estava certo…
O tempo iria passar, e eu iria encontrar um amigo de anos atrás, e ele se tornaria o meu melhor amigo da vida, meu namorado, meu noivo, meu marido, o pai da minha filha…
Falar de namoro depois de 12 anos juntos é engraçado… Aquele sobressalto no coração dos dias iniciais não existem mais. Eles vão dando lugar a um sentimento de proteção mútua, de querer fazer muitas coisas juntos a longo prazo, de conhecer o que o outro tá sentindo só numa piscada de olhar…
Mas eu não sou muito boa pra escrever sobre amor não… Prefiro ler os que nos encantam a alma e o coração, e deixo para vocês esse lindo texto de Carlos Drummond de Andrade, que fala melhor do que ninguém sobre os namorados.

“Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.”

Um beijo para todas vocês, namoradas ou não. Comemorem com os namorados, se não os têm, comemorem entre amigos.
A nossa noite será na casa de um casal de amigos que, como nós, tem uma filhinha pequena, e estão organizando o refúgio da PEC: vai todo mundo com filho e cada um leva uma comidinha e bebidinha e vamos celebrar juntos. Enfim, os dias dos namorados vão mudando…
Beijos a todas!
E um beijo também pra meu eterno namorado. Até a próxima, Lika.

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