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Filme pra emocionar coração de mãe: Que Horas Ela Volta?

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Segunda-feira assisti o novo filme nacional, Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, filme super premiado lá fora, inclusive para melhor atriz em Sundance para as duas protagonistas.
O filme conta a história de Val, interpretada por Regina Casé, uma babá de uma família de classe média alta do Morumbi, em São Paulo, que com o passar do tempo vira empregada da casa, desenhando a tênue relação entre patrão e empregados, principalmente nos casos onde os últimos dormem no emprego.

Val deixou a filha Jessica em Recife, e é justamente a vinda dela para prestar vestibular e sua chegada à casa dos patrões, que coloca toda a platéia para pensar em como essa estrutura de relacionamento com pessoas consideradas “quase da família” tendem a ser frágeis, e como as relações afetivas mães e filhos são afetadas em ambos os lados.

O filme já me emocionou no início, quando Val está na piscina com Fabinho, e quando este pergunta por sua mãe, a babá responde que está no trabalho e ele pergunta: “Que horas ela volta?”, ao que ela responde não saber. Me coloquei no lugar, como mãe que passa o dia fora, e que precisa realmente da ajuda de funcionárias em casa para manter uma boa rotina para as crianças.

Com o tempo, Fabinho cresce, e estabelece uma relação afetiva com Val mais próxima do que com a sua própria mãe. Não penso que isso possa acontecer comigo, pois quando estou em casa sou muito presente com as minhas filhas, além de ter achado a mãe do filme um pouco caricata demais (a perua da classe alta que se preocupa mais com as aparências do que com suas relações propriamente), mas não posso deixar de pensar que manter um padrão de vida com pai e mãe trabalhando de sol a sol pode levar a alguma carência de qualquer lado…

E o belo do filme é retratar que, em posições diferentes, as duas mães se colocaram ausentes das vidas de seus filhos. Val passou 10 anos sem ver a filha, e esta a confronta com o mesmo questionamento que Fabinho fazia, pois via a mãe por um período e quando ela voltava para São Paulo perguntava para sua cuidadora: “Que horas ela volta?.

A babá de Malu vivenciou isso, pois trabalhou anos em uma casa de família, dormindo no emprego, acordando cedo, dormindo tarde, cuidando de 3 crianças e da casa dos outros, enquanto sua mãe cuidava do seu filho, que ela só via aos domingos. Em uma época em que os direitos trabalhistas das empregadas domésticas eram mínimos, isso é muito mais comum do que imaginamos, principalmente pelas capitais do Nordeste.

Espero de coração que a nossa dita “classe média” aprenda a viver de forma mais independente, e que enxerguem seus trabalhadores domésticos como funcionários como qualquer outros, sem distinção.

Já vi gente me questionar em como vou fazer no meu apartamento que me mudo em breve, que não tem dependência de empregada. isso, inclusive, é uma tendência cada vez mais comum nos novos apartamentos. e me pergunto: seu funcionário não pode usar o mesmo banheiro que você? Os mesmos pratos? Não pode tomar banho na sua piscina em um horário fora do do expediente de trabalho? A comida que você come é uma e de seus empregados é outra? Acho que filmes como estes servem mesmo para repensarmos em como conduzir essas relações. É lógico que estes funcionários devem fazer o máximo para se capacitarem cada vez mais, e assim melhorarem inclusive os seus proventos.
Há 15 dias atrás eu passeava num domingo por um shopping pequeno de Salvador, esperávamos uma atração infantil, eu, meu marido, Malu correndo e Bela no carrinho. Passa por mim um casal com um filho de mais ou menos 2 anos, os 3 saudáveis, e empurrando o carrinho uma babá fardada. Essa cena de babás passeando fardadas pelos shoppings me soa tão provinciano, acho tão sem graça, ao mesmo tempo acho lindo ver Angelina Jolie e Brad Pitt com sua prole sendo flagrados pelas ruas desse mundo sem funcionários fardados na sua cola.

Mas apesar dos pesares, com todas as críticas que tenho quanto a este governo, enxergo sinceramente que muita coisa mudou para melhor. Muitas diferenças se aproximaram, e rogo para que sejamos cada vez mais iguais. Só quando nos enxergarmos no outro teremos um mundo mais justo. Como no filme, Fabinho enxerga em Jessica uma igual. Diferente de sua mãe, que enxerga a filha da empregada, que toma o seu sorvete e usa a sua piscina. Por um mundo onde Fabinhos e Jessicas possam escolher o que quiserem fazer da vida e se respeitem. Essa nova geração pode mudar nosso país. E é isso que eu espero.

E viva o cinema brasileiro por retratar tão lindamente a nossa realidade.

Assistam Que Horas Ela Volta?.

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