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A gente não quer só comida…

 

Hoje o brasileiro comum foi pego de surpresa com uma decisão do MEC de retirar da grade escolar (não foi bem retirar, mas torná-las optativas, o que, na minha opinião, na prática, seria excluí-las do ensino público, mas…) as disciplinas de Sociologia, Filosofia, e para meu espanto, Artes e Educação Física. Logo depois o próprio MEC publicou uma errata onde justificou que a publicação havia saído errada e que nenhuma das disciplinas seriam excluídas, ao contrário, os alunos teriam até mais tempo para aprofundar, caso tivessem interesse.
Até essa correção, meu whatsapp foi inundado por uma enxurrada de opiniões, desde pessoas tristes e indignadas, mas me impressionou o comentário de alguns que disseram que essas disciplinas pouco acrescentaram em suas vidas, e que melhor seria mesmo o MEC se preocupar com a carga horária para os alunos com disciplinas que REALMENTE IMPORTASSEM.

Aí eu fiz uma volta no tempo na minha cabeça:
Lembrei das aulas (que não eram de filosofia como disciplina, mas que tinham um cunho filosófico em sua essência) em que sentávamos no pátio da escola (meio tipo Captain, my Captain, em Sociedade dos Poetas Mortos) e pensávamos a vida, a existência, as relações pessoais.

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Imediatamente recordei das minhas aulas de artes, tanto na escola Experimental, onde verdadeiramente experimentávamos sucata, argila, tintas… E no Colégio 2 de Julho, lembro até hoje onde ficava a sala de artes, estrategicamente ao lado da cantina, e lá conheci técnicas de pintura em tela, serigrafias, tanta coisa bacana que chega dá vontade regressar uns 20 e poucos? anos pra vivenciar tudo de novo.

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No mesmo colégio, lembro de aprender as regras de cada esporte olímpico, e poder praticá-los em caso de interesse, e torcer muito pelos meus colegas nas Olimpíadas Baker que aconteciam anulamente. Sobre estas olimpíadas, eram abertas com um lindo espetáculo, todo elaborado por nós alunos, do cenário, ao figurino, direção e atuação…

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Toda essa vivência diz muito quem eu sou hoje. Lógico que a maior parte do meu ser vem da formação passada a mim por meus pais, mas não posso negar que poder ter convivido com outras crianças experimentando tudo isso, principalmente nas artes e nos esportes, me fez ser uma pessoa mais bacana e uma mãe que espera daí para melhor para minhas filhas.
Por isso o meu susto quando o MEC fez o primeiro anúncio, pois não adianta muito para mim criar todo um cenário propício para as artes e outras vivencias para as minhas filhas, se as outras crianças não podem interagir com elas neste sentido. E mais triste ainda é saber que pessoas instruídas, que com certeza tiveram, mesmo que pouco, algo neste sentido, reneguem tudo como pouco contributivo para suas vidas. COMO ASSIM?
Sem entrar no mérito partidário que assola o país, não precisa entender muito de educação para perceber que da Cuba ou da China à Améria de Obama, o esporte e as artes são super valorizados! Você pode ser comunista que nem Che Guevara ou o maior porco capitalista do mundo, mas você deve compreender o papel dessas atividades para a formação de jovens saudáveis, e no caso do Brasil, ainda mais, pois os afasta da criminalidade.
Dizer que o MEC deve valorizar as disciplinas que realmente importam me deixou um pouco confusa, pois os grandes educadores da atualidade têm justamente questionado o modelo de educação que temos hoje, com disciplinas voltadas para um vestibular, e até que ponto esta forma de avaliar o desempenho de um aluno é a forma mais objetiva. Exemplos contrários não faltam: Steve Jobs não concluiu os estudos, mas sua inquietude e criatividade o levou aonde sabemos.
No filme Tarja Branca, a pedagoga Lydia Hortelio, falando sobre a importância do brincar, fala que os pais se preocupam tanto em como o filho vai fazer o vestibular, e a gente não nasceu pra fazer vestibular: a gente nasceu para ser gente e se expressar em plenitude e liberdade, e inteireza, com todos os talentos que um ser humano tem.” E a gente só descobre estes talentos experimentando e pensando!

lydia
Então, esse texto cheio de saudade foi só para dizer que fui uma criança muito privilegiada, pois filosofia, sociologia, artes e educação física fizeram sim a minha vida melhor. E olha que ainda peguei o tempo da EMC!!!! Mas acho que, na minha escola querida, até essa disciplina era ministrada com amor!
Vamos torcer para que entre as cabeças pensantes da educação do nosso país existam algumas Lydias! Pois a gente não quer só comida: a gente quer comida, diversão, arte, esporte, inclusão!
Beijocas, Lika.

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