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Mãe de dois

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Quem escreve hoje no nosso blog é uma amiga muito querida, que foi uma das primeiras amigas mamães que observei, ouvi, aprendi. Inclusive, quem me incentivou a decidir por outro filho, post que escrevi aqui. Uma mãe que pariu 2 filhos lindos, um normal, um cesárea. Morou longe da família (que é de Recife), e em Salvador fez outra família, até que voltou pra sua terra e deixou nossos corações cheios de saudade. Com vocês, a mãe de Herique e Beatriz, Adriana Alcoforado.

“A decisão de ter um filho é algo muito importante na vida de um casal. A chegada de um filho traz consigo muitas alegrias, muitas surpresas também e muitos obstáculos a serem vencidos juntos. Primeiro é preciso que o casal esteja desejando aquele filho, além disso, esteja aberto a aceitar o filho da maneira que ele vier, com suas características pessoais, seus defeitos e suas qualidades, pois somente com muito amor poderemos passar por tudo isto e enfrentar as adversidades que aparecerem.

Primeiramente as mudanças acontecem ainda na gravidez, onde a mulher sofre transformações no corpo, na cabeça e no coração. Tudo é choro, emoções e sentimentos à flor da pele! Sempre defini que o sentimento que eu tinha nas minhas duas gestações era o de plenitude. Sentia-me sempre plena, poderosa, transbordando de amor e em paz. É na gestação que somos preparados para a maternidade/paternidade, onde começa a nossa doação de vida ao nosso filho, e nossa prioridade desde já passa a ser aquele ser que está em nosso ventre.

Chegou o tão esperado dia: o dia do parto! Tive um parto normal e uma cesárea. Posso dizer que preferi o parto normal. Primeiro achei o parto normal mais emocionante que a cesárea, depois o parto normal é uma dívida que se paga a vista! Na cesárea o pós-operatório não é tão agradável… Mas isso é papo pra outra hora. O fato é que na maternidade o bebê se comporta tão bem! Dorme muito, mama e dorme… uma maravilha! Quando chegamos em casa é meio desesperador para mães de primeira viagem. Garanto que no segundo filho tudo é muito mais fácil! Daí se inicia as noites sem dormir, amamentação o tempo todo… muito cansaço! A isso se soma o cuidado com o filho mais velho (pra quem já teve algum). Mas é um misto de sentimentos e sensações que podem deixar algumas mães até meio depressivas.

Quando eu estava com 15 dias de pós-parto cesárea da minha filha, recebi uma proposta irrecusável de emprego. Dois plantões de 12 horas na semana e um bom salário… eu não tive licença-maternidade pois sou profissional liberal, então não pude descartar! Tirei muito leite materno, congelei, e morria de chorar cada vez que a deixava para trabalhar. Ela morria de chorar sentindo minha falta… foi uma barra! Mas hoje, seis meses depois, estamos mais fortes!

A vida da família muda muito. São mudanças de horários, programas de fim de semana, o casal já não tem mais a mesma liberdade de antes. Não dá pra sair a hora que quer, fazer o que quer… até por que estamos cada vez mais sem babás disponíveis no mercado. A mãe sente-se esgotada pois o trabalho com o bebê é somado às outras obrigações que ela já tinha antes; depois nos acostumamos a ser mãe-polvo: muitos braços disponíveis. Associado a tudo isto vem a culpa. Sim, sentimos culpa em deixá-los, culpa em ter que trabalhar, muita culpa! Mas é preciso que tenhamos nossa vida de volta aos poucos. Pois: “Quanto melhor educamos nossos filhos é quanto menos eles precisem de nós para viver.” A arte de educar que é tão difícil e exige tanto de nós.

Em contrapartida, os filhos dão às nossas vidas significado mais que especial. Esquecemos-nos de tudo, de todo o trabalho quando sentimos o calor de sua pele. Quando somos presenteados com um sorriso, um “mamãe” ou “papai”, um abraço, uma palavra de carinho. Quando temos filhos vivemos em eterno estado de paixão. Hoje sou assim. Basta pensar neles que fico em paz, e abre-se em meus lábios um sorriso bobo, daqueles de quem está apaixonado mesmo. É por eles que saímos todos os dias pra trabalhar e lutamos arduamente por melhorar de vida. Queremos dar-lhes tudo, mesmo sabendo que não podemos ou não devemos. Ansiamos o dia todo pela hora de voltar pra casa, e encontrá-los ansiosos e barulhentos pela nossa chegada, tal qual abelhas voando alegres em nossa volta! Esse momento é único!

Cada descoberta deles, cada crescimento, cada momento de alegria ou de dor é como se fosse a nós! Temos uma vida em cada filho, um coração batendo em cada um deles… E somos muito felizes. Vemos neles a criança que um dia fomos e a resgatamos dentro de nós, nos permitindo brincar juntos e dar risadas de coisas bobas. Basta estar com eles para esquecermos os problemas. Eles são combustíveis em nossas vidas. Queremos e desejamos sempre estar perto, em cada momento, em cada passeio. Queremos ensinar-lhes muitas coisas. Dar carinho e receber. Filhos são bênçãos em nossas vidas.

Portanto, como tudo na vida, ter filhos tem o lado bom e o lado cansativo. Eu não diria lado ruim, pois ruins são outras tragédias na vida. A experiência de sermos filhos é inesquecível, a de termos filhos e sermos pais também. Cada uma com suas características. Na verdade, acima de tudo isso e de qualquer dificuldade está o amor. O amor pelos nossos filhos e que recebemos deles não há nada que se compare no mundo.”

Adriana Alcoforado, Cirurgiã-dentista, Mãe de Henrique (4 anos) e Beatriz (8 meses).

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