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Mães como nós: Amanda, mãe de prematuro

Gente, eu tenho amigas que já passaram pelas mais diversas situações de maternidade: filho adotado, filho especial, mães que viajam, mães solteiras… Enfim, sempre peço para elas me darem um depoimento pra trocar uma ideia no blog, mas a maioria não tem tempo, e algumas não tem mesmo disposição para escrever. Daí, resolvi entrevistar essas pessoas, mães normais como todas nós, para contar um pouquinho da experiência de cada uma por aqui.
Hoje quem vai conversar com a gente é Amanda, mãe de Bernardo, que resolveu nascer antes da hora.
Ela conta um pouco como foi essa experiência.

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MVF: Como a notícia de estar grávida chegou para vc, e como foi sua gravidez?
Desejei minha gravidez. A notícia foi recebida com muita alegria por toda a família, principalmente quando soubemos que iria ser um menino. O príncipe que a minha família não tinha ainda. A gestação, apesar dos enjôos iniciais e da azia que me acompanhou as 32 semanas, foi tranquila, sem maiores intercorrências até…..

MVF: Com quantas semanas nasceu seu filho, e como vc encarou a notícia de ter que interromper a gravidez antes do previsto?
Meu filho nasceu com 32 semanas. Como eu encarei a notícia é uma pergunta que nunca tenho uma resposta concreta a dar. É muito de Deus quando tudo acontece. Parece que eu saí do ar…foi como se, por um momento tudo fosse normal, como se eu soubesse que nada de errado fosse acontecer. Não sei se posso chamar isso de força, mas é como se Deus estivesse ali, me tranquilizando, me dizendo que tudo iria dar certo. Não me desesperei em momento algum.

MVF: Como é a rotina de uma mãe que não pode ir pra casa com seu filho?
Tento sempre ver o lado bom das coisas chatas da vida. Depois do parto ainda fiquei internada quase uma semana o que facilitou um pouco as coisas. E o lado “bom” foi poder passar aqueles primeiros dias mais difíceis da mãe com bebê recém-nascido em casa, com ele na UTI Neonatal, sendo cuidado por pessoas que sabiam mais do que eu e que foram me ensinando a lidar com a nova rotina. Era como se a mãe que tem o bebê a termo tivesse 24hs, médicos e enfermeiras e técnicas dentro de casa. Facilita, né?! Fora isso, acordava bem cedo, ia pro hospital e só saía por volta das 10 da noite.

MVF: Quais são as pequenas vitórias para um bebê em UTI neonatal?
Aprender a respirar sozinho é a primeira grande vitória. E enquanto isso não acontece há o afastamento da mãe, pois de não sabe respirar sozinho, se alimenta por sonda, a mãe não amamenta, não recebe estímulo, não produz leite etc. Outra coisa é o organismo dele conseguir regular a temperatura sozinho, o que também o afasta da mãe, pois não pode sair da encubadora e vc apenas toca o seu filho. Aí é de matar!!!!! Não poder pegar no colo é fogo! Ganhar peso é a outra vitória. E a que finalmente o leva pra casa.

MVF: Como as mães desse ambiente dão apoio umas as outras, e como vc enxerga a relação da equipe hospitalar com essas mães?
O que as mães mais tem pra fazer na UTI é conversar. Trocamos idéias, experiências, contatos. Há as que se desesperam por não poderem amamentar seus filhos, por estarem lá há meses e por aí vai. Motivos não faltam. Aí entra a equipe da NEO que não te abandona nem por um segundo. Cria-se uma relação tão forte entre a família e a equipe, uma gratidão tão grande… Acho que a confiança que nos é passada é o que nos faz encarar tudo com naturalidade. Até hoje levo meu filho lá pra visitar a equipe, deixo fotos, me relaciono nas redes socias.

MVF: Quais as inseguranças de mãe quando o bebê é liberado para ir pra casa?
Acostumamos com o monitor. Lá, ficamos de olho na saturação, nos acostumamos com o bip da normalidade, quando ele soava diferente era só chamar os médicos. Sabíamos quando ele estava respirando normalmente. E em casa? Como eu ia fazer pra saber se estava tudo bem? Como eu ia saber se estava ganhando peso? Pra mim essas foram as principais inseguranças. Dormia com ele colado em mim pra saber se estava respirando e me achava a que estava amamentando…Quando fui pesar…..estava perdendo peso!

MVF: Maternidade quase sempre vem cheia de culpa. O que você ainda se culpa e o que você deixou pra lá?
Não sei se me culpo, não…..Fiz tudo pensando que estava fazendo o melhor. Mesmo o que não deu certo, não me culpo.

MVF: O que voltar a trabalhar representou, emocionalmente, para você, e como você administrou a rotina de casa?
Sempre fui muito prática e organizada. Precisar trabalhar era um fato. Já sabia disso quando pensei em engravidar. Minha preocupação era deixá-lo tão pequeno, literalmente, com alguém que não havia sido “treinada” como eu. Ele era muito menor que um bebê a termo, tinha refluxo e isso era o que me preocupava. Contar com alguém da minha confiança foi o me tranquilizou. Sabia que qualquer dificuldade me ligaria e que cuidaria dele com todo zelo.

MVF: Que lição vc tirou dessa experiência?
Que a paz não tem preço! Que antes só que mal acompanhada! rsrsrs. mas é verdade!
Talvez se eu estivesse em paz no meu casamento, minha pressão não iria subir e nós não teríamos corrido risco de vida.

MVF: Que mensagem vc deixa para outras mães que estão passando por isso?
Calma. Serenidade e fé. Quando nós estamos tranquilas, tudo segue com tranquilidade.

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Bernardo hoje tem 3 anos e é um lindo menininho, cheio de vida e alegria! Valeu cada sacrifício!
Beijo Mandita e obrigada por compartilhar!

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