Logo Blog Mamãe Vai Fazer

Mães como nós: Roberta, mãe executiva

20131105-041353.jpg

Hoje quem vai contar um pouco da sua rotina por aqui é Roberta, a super mãe de meus sobrinhos Miguel e Mariana, que se divide nessa função com a sua conturbada profissão de executiva, em meio a viagens e jornada apertada de trabalho.
Espero que vocês gostem!

MVF: Você sempre quis ser mãe, que eu sei. Como foi para você a notícia que estava grávida de seu primogênito?
Roberta: Desde sempre quis ser mãe. Era um sonho antigo. Quando casei com o meu amor de infância / adolescência essa vontade ficou ainda maior. Esperamos 4 anos e em comum acordo decidimos engravidar. Foi exatamente como eu imaginava. A maior alegria do mundo. Naquele momento não houve preocupação com nada, apenas uma sensação de força e capacidade. Apenas alegria e muitos agradecimentos pela benção de poder gerar um filho.

MVF: Como decidiu pelo segundo filho?
Roberta: O segundo filho já estava decidido antes de engravidar do primeiro. Na verdade nossa intenção sempre foi ter 3 filhos, mas acabamos parando, por hora, no segundo, tendo em vista a vida corrida e a impossibilidade de estar mais presente. A única “coisa” que eu sempre pedia era que fosse uma menina e no fundo eu sentia que ia ser. Não deu outra. Nossa Mari foi feita por “acidente”, um pouco antes do planejado, mas hoje penso que exatamente na hora certa. Um verdadeiro presente para nossas vidas.

MVF: O que você errou no primeiro e relaxou no segundo?
Roberta: Ah…. quanta coisa!!! No primeiro fui mãe centralizadora. Além da minha mãe, não deixava ninguém fazer nada com Miguel. Até trocar uma fralda, tinha que ser eu. Queria participar de todos os momentos e hoje vejo que foi bom, mas ao mesmo tempo, foi egoísta da minha parte e acabou gerando até um pouco de insegurança. Tive problemas para amamentar e me sentia muito impotente perante meu filho. Não era capaz de alimentar meu próprio bebê… então me apegava a todas as outras coisas. Hoje entendo assim, mas demorei a assumir. Já com Mari, é aquela coisa né? O segundo filho devia sempre vir primeiro. Não diria que relaxei, mas deleguei muito mais, até porque tinha que cuidar também de Miguel, então a ajuda era sempre bem vinda.

MVF: Seu ramo de trabalho requer viagens constantes. Como você aprendeu a dividir o seu tempo?
Roberta: Quando comecei a viajar Mariana estava completando o primeiro ano de vida. Não foi fácil, assim como não é fácil até hoje. São várias cobranças e sempre aqueles olhares meio duvidosos na minha direção, tipo: como é possível fazer tanta coisa ao mesmo tempo??? A palavra chave é planejamento e estrutura. Posso viajar quantas vezes for, mas a rotina de Miguel e Mariana é sempre mantida. Tenho também pessoas que trabalham comigo há algum tempo e com as quais sempre pude contar. Sem falar em Frederico, meu marido e em minha mãe, que estão sempre presentes e na minha ausência, muitas vezes assumem o meu papel. Procuro fazer minha agenda de forma a não me ausentar de compromissos importantes, como festas na escola, consultas médicas, entre outros… E quando estou presente, estou de corpo e alma. Me envolvo em todas as atividades e fico a par de tudo que está acontecendo. Dá trabalho, mas tem que ser assim!!!

MVF: Maternidade quase sempre vem cheia de culpa. O que você ainda se culpa e o que você deixou pra lá?
Roberta: Ainda não tenho bem resolvida a questão do parto e da amamentação. Sonhei com um parto normal e sonhei em amamentar meus filhos intensamente. Infelizmente não consegui fazer nenhuma das duas coisas. Sei que não depende 100% de mim, mas lá no fundo me culpo até hoje. Atualmente me pego pensando em vários assuntos relacionados ao crescimento dos meus filhos e tenho mil questionamentos. Tenho muito medo de errar, mas sei que fatalmente em um quesito ou outro não conseguirei atingir a satisfação plena, nem para eles, nem para mim.

MVF: O que é tempo de qualidade com filhos pra você?
Roberta: É aquele tempo que estamos 100% disponíveis para eles. Geralmente nos finais de semana, pela manhã, Miguel e Mari vêm para minha cama bem cedinho e ficamos ali, meio acordados, meio dormindo, durante longas duas horas, às vezes menos, sem fazer nada, apenas ouvindo um a respiração do outro. Esse é um tempo de total qualidade, quando nos entregamos por inteiro e só precisamos de nós mesmos. Mas também há muitos outros tempos de qualidade, como fazer algo que eles gostam ou deixar que evoluam fazendo algo que nunca fizeram.

MVF: Seu trabalho requer boa apresentação. Como vc, em meio a tudo isso, arranja tempo pra se cuidar, e como isso reflete-se em sua filha pequena?
Roberta: A boa apresentação é quase uma imposição no meu trabalho. Ultimamente tenho me cuidado bem menos. No decorrer desse ano não consegui voltar para o Pilates, continuar tratamentos estéticos, nem ir para academia. O máximo que tenho feito é uma visita ao salão semanalmente. Mas isso não tem a ver necessariamente com agenda e sim com prioridades. Por outro lado, tenho feito muito mais coisas em casa, como cuidar do cabelo, o que antes fazia no salão. Mariana é uma criança vaidosa por natureza e o fato de me ver sempre arrumada para ir ao trabalho ou frequentando o salão, com certeza chama a atenção dela, que naturalmente procura imitar o que faço. Não me culpo, nem muito menos a ela. Apenas procuro prestar atenção e puxar o freio de vez em quando. Assim como o exagero não é saudável, podar demais também não. De uns tempos pra cá, temos falado menos nesse tema em casa e dado foco a outros assuntos, por exemplo.

MVF: Discute-se muito hoje em dia o consumismo excessivo de nossas crianças. Qual a sua opinião sobre isso?
Roberta: Acho exagerado também. Mas muito fruto de muitas interferências externas. Essa época do ano é bem complicado. Com Dia das Crianças e Natal os canais de televisão exageram e induzem muito as crianças ao consumismo. Cabe a nós pais, dar os limites. Logo que comecei a viajar a trabalho costumava trazer lembrancinhas para Miguel e Mari. Até o dia que começaram a me perguntar quando seria a minha próxima viagem para eles ganharem um presentinho… Nesse momento, parei, refleti e tive uma conversa com eles. Desde então não trago mais nada das viagens a trabalho e brinquedos e presentes só em datas comemorativas ou viagens de férias. Dessa forma, dão muito mais valor ao que têm e ao que ganham.

MVF: Como você vê o papel do pai nas famílias atuais, onde as mães também se ausentam muito de casa?
Roberta: Extremamente importante. Cada vez mais os pais estão se integrando ao dia a dia dos filhos e isso é maravilhoso. Fico extremamente feliz quando vejo meus filhos fazendo qualquer coisa com o pai. Cria-se uma relação muito bacana, até de cumplicidade eu diria. E muitas vezes é necessário. Por conta das minhas viagens, Frederico se envolve em tarefas escolares, atividades extracurriculares, refeições à mesa juntos, etc…

MVF: Já passou pela sua cabeça deixar de trabalhar para cuidar dos filhos como algumas mães da geração das nossas fizeram? O que vc pensa a respeito disso?
Roberta: E como já passou. Acho que essa idéia passa todos os dias pela minha cabeça. Mas será essa a solução??? Durante a minha vida sonhei com o que tenho hoje. Uma casa, um marido, dois filhos, um trabalho bacana, uma carreira corporativa, etc…, etc…, etc… Não sei se abrir mão de um desses fatores seja bom. Os filhos nascem para o mundo e é para ele que devemos cria-los. Se temos uma estrutura boa e conseguimos equalizar nosso tempo, por que não seguir dessa forma? Acredito que lá na frente não me arrependerei dessa decisão!

MVF: Que mensagem você deixa para as mães que, como vc, precisam trabalhar no seu ritmo?
Roberta: Não é fácil, mas se estivermos seguras do que queremos, bem estruturadas e com um planejamento legal tudo se torna menos complicado no nosso dia a dia.

20131105-041441.jpg

20131105-041454.jpg

Nuvém de Tags
alegria amamentação Amizade amor avião babá Beleza birra blog Brasil brincadeiras Cabelo campanha cesárea chupeta cinema criança culpa cultura dica dicas emoção escola Família farra Filhos Filme fim de semana gravidez infância Irmãos Lazer Libido livros maquiagem música parto passeio pele programação saudade saúde solidariedade Sono teatro