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O Papel do Brinquedo

A maioria das mães (quando eu digo mães, leiam também pais, ou cuidadores) de classe média deve passar por um conflito com o qual eu me vejo quase sempre: a imensa quantidade de brinquedos que nossos filhos têm, e a demanda eterna de nossos pequenos (motivados pela publicidade explícita dos canais infantis e implícita nos canais de youtube) por cada vez mais novidade nos brinquedos infantis.

Sei que a maioria das mães sabe que não precisamos de TANTO brinquedo, e ainda assim, cedemos muitas vezes aos caprichos das crias, quer por agradar-los por compensação por nossas ausências (#quemnunca), quer por suprir alguma carência nossa da infância (#quemnunca2), ou ainda, por achar que determinado brinquedo trará mesmo alegria aos nossos motivos de viver.

Mas não podemos esquecer que a alegria despertada por esses mimos frequentes cria uma emoção meramente momentânea nas crianças. Diferente da minha geração, que esperava o aniversário, dia das crianças ou Natal por ganhar aquele brinquedo tão esperado (ou, eventualmente, não ganhar, pois nem sempre era possível), as crianças de hoje anseiam por pequenos prazeres, como um brinquedinho de lanchonete (que será esquecido em uma gaveta no dia seguinte).

É difícil resistir ao choro ou cara de pidona (nem sempre eu consigo #confesso) mas o brincar é aspecto mais importante para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois a partir dele ela molda suas relações com o outro, define conceitos de espaço, tempo… Mas sabemos que o brincar não está diretamente relacionado ao brinquedo comprado. O maior desenvolvimento da criança está em modificar objetos previamente existentes, dando-lhe significados lúdicos e nisso consiste a minha maior alegria quando vejo minhas filhas brincando.

No texto Papel do Brinquedo no Desenvolvimento Infantil (link para o texto na íntegra)  as autoras citam: “É por meio do brinquedo que a criança se apropria do mundo real, domina conhecimentos, se relaciona e se integra culturalmente. Ao brincar e criar uma situação imaginária, a criança pode assumir diferentes papéis: ela pode se tornar um adulto, outra criança, um animal, ou um herói televisivo; ela pode mudar o seu comportamento e agir e se comportar como se ela fosse mais velho do que realmente é, pois ao representar o papel de “mãe”, ela irá seguir as regras de comportamento maternal, porque agora ela pode ser a “mãe”, e ela procura agir como uma mãe age. É no brinquedo que a criança consegue ir além do seu comportamento habitual, atuando num nível superior ao que ela realmente se encontra.”

Para mães que, como eu, cedem ao consumo das famigeradas LOL Surprise Dolls por exemplo (bonecas essas caríssimas, ao meu ver), desperta a minha alegria ver minhas filhas criando casas para essas bonecas com outros objetos, outras roupinhas, interagindo essas bonecas com outras e fazendo a imaginação voar…

Acho que, como pais e mães, nos cabe mais do que apenas observar nossos filhos brincando. O tempo que nos dedicamos a brincar com eles é por demais precioso, e fará parte das memórias que eles levarão para a vida. Sento pelo menos 2 vezes por semana com as meninas para brincarmos juntas. jogo o cansaço pro lado  e brinco do que elas propõe. Mas o papel do adulto na brincadeira (já aprendi) não pode ser o de estabelecer as regras, e sim permitir que elas formulem as regras, cabendo a nós segui-las ou mesmo orientar…

Ainda no texto que citei, as autoras reforçam que “a participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante o jogo. Ao mesmo tempo, a criança sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado”.

Pra encerrar, sugiro um excelente filme disponível para locação no youtube, o Filme Tarja Branca

que reflete sobre tudo isso que eu devaneei por aqui, com muito mais propriedade e competência, afinal, meu objetivo não é ser “coach de maternidade” de ninguém, mas sim trocar uma idéia com quem “me lê” sobre o desenvolvimento das minhas filhas.

mas todo esse blá bla’bla’foi pra mostrar pra vocês, cheia de orgulho, a “viola”criada por Malu, com um lápis gigante, um pratinho de boneca e alguns elásticos. Veio correndo me mostrar, tocando e cantando, feliz da vida, por sua criação. Ainda que curta um tablet, videos no Youtube, jogos eletrônicos, nao dispensa uma boa brincadeira ao ar livre ou a criação de arte. Acho que estamos no caminho certo por aqui, né? 😉

Viola de prato

Beijos a todos, Lika.

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