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Quando ser alienada vira questão de saúde

Era pra ser mais um dia como outro qualquer… Trabalhei, cheguei em casa 18:30h, as meninas acordadas me esperavam para brincar e segui no meu terceiro turno de mulher que é mãe e trabalha fora.

Malu sugeriu uma brincadeira: de olhos vendados puxávamos 3 cores de lápis de cor e tínhamos que colorir “do meu melhor jeito” um desenho com apenas aquelas cores. Ficamos ali nós 3 colorindo e rindo com uma menina verde, um lobo azul… Depois fomos pra rotina da noite: copo de leite, dentes escovados, reza e assistimos Trolls no quarto. Bela dormiu, deixei Malu assistindo e fui pra sala ver as notícias.

Liguei no Jornal Nacional e depois de um monte de noticia ruim, quando passou o quadro de uma penitenciaria feminina onde ratazanas se acumulavam no pátio, passando por cima de funcionarias e detentas, o estômago embrulhou e mudei para o GNT. Esperei o Saia Justa. Adoro e Neto odeia! Diz que é só mulher que entende aquelas 4 mulheres falando ao mesmo tempo. Pitty me representou quando disse que a Lara Croft ser sensual devia ser entendido se o contexto pedia sensualidade. Falou-se de filhos, como podemos errar transformando uma atividade prazeirosa em aulas e obrigações, e sobre a importância de observá-los brincando.

Começou um filme no telecine: O Zoológico de Varsóvia. Comecei a ler o livro, e como uns outros 30, larguei na metade (#mãesentenderão). Resolvi me permitir ao Spoiller e assisti ao filme todinho. Comovente como pessoas se arriscam pela coisa certa em momentos de injustiça. E tenebroso ver como o ser humano pode ser covarde, mesmo com crianças e idosos. Vale a pena o filme!

Terminou, fui ao escritorio pegar o livro esquecido para colocar na agenda de “leituras” e voltei para passar o olho no Jornal da Globo. A repórter narrava que uma vereadora do PSOL do Rio de Janeiro havia sido executada junto com seu motorista pelas ruas da cidade que está sob interdição militar. O sono que já estava nos meus olhos foi-se embora. Eu não conhecia a Marielle Franco. Ela não é propriamente uma vereadora que a Rede Globo se importava em mostrar o trabalho. Lutava pelo povo pobre da Maré, de onde ela veio. Pelas mulheres negras, pelas mulheres em geral, contra a homofobia… Tudo que convencionou-se a chamar de esquerdopatas ou mimimi…

Desliguei a TV e não consegui dormir… A cena de crianças judias entrando em um trem rumo ao extermínio do filme, junto com a fisionomia doce de Marielle, que estava sendo apresentada a mim no dia mais triste de sua família não saíram da minha mente.

Tomei uma melatonina. Dormi. Acordei. A cabeça pesada. Contei pra Neto o que aconteceu (ele é mais esperto do que eu e já desistiu MESMO das notícias televisivas). Ele fez um comentário lindo, mas que me deixou ainda mais devastada: “pense num pai e mãe que cria uma filha pra ser justa, pra se importar e lutar contra as injustiças do seu mundo, pra ela acabar assim!”

Essas palavras ecoaram na minha mente, pois é assim que eu educo as minhas filhas. Para pensarem na coleguinha especial da escola, que é mais fraca, e não deixarem ninguém ser injusto. Para não fazerem distinção com o diferente. Para ver que elas têm MUITO mais do que a maioria das crianças da idade dela e por isso devem ser gratas.

O que aconteceu com essa mulher é um soco no estômago de cada mãe que educa seus filhos para serem justos e guerreiros. Estou devastada e com uma vergonha de ser brasileira. Vergonha de ver a cidade mais linda desse país, o Rio de Janeiro, corrompida em suas entranhas. Infelizmente, não vejo perspectiva de mudança para a geração das minhas filhas, e me sinto impotente em vê-las crescer num mundo como esse. Um mundo onde morrem Marielles, onde mulheres que cometeram crimes e deveriam ser ressocializadas convivem com ratos, onde crianças morrem na Síria por um conflito que o mundo assiste pelo Facebook…

Tomei 1G de Dipirona e estou aqui no consultório, enquanto um paciente falta, escrevendo esse texto. E segue o baile… 🙁

Desculpa as palavras tristes, mas hoje tá difícil manter a alegria.

#MariellePresente

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