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Um mix de sensações ao marcar o parto

Eu NUNCA quis marcar parto. Sempre achei péssima a sensação de interferir na vontade de minhas filhas de vir ao mundo. No parto de Maria Luiza, a natureza escolheu por mim a via de parto, já que tive placenta prévia (uma das poucas contra-indicaçoes definitivas pra o parto natural), e apesar de ter me programado para marcar o parto, na madrugada de uma segunda pra terça, Malu resolveu nascer. Foi um parto cesariana, com minha médica de anos, e minha recuperação foi excelente. Na verdade, acho inclusive que pode haver parto cesárea humanizado.

Dessa vez, minha gestação transcorreu de forma muito tranquila. Nada de placenta prévia, Isabela se virou logo com 32 semanas, e na ultima ultrassom, a radiologista, que é minha amiga, me disse que Isabela está encaixada, numa ótima posição para nascer de parto natural. E é daí que vem toda a culpa…

Confio muito na minha obstetra. Ela é competentíssima, e sei que o parto será tranquilo. Mas esse sistema de saúde brasileiro, que nos empurra a uma cirurgia que muitas vezes seria desnecessária, frusta um pouco as minhas expectativas. Quando optei por minha GO, os motivos que mais pesaram foram a confiança que deposito nela, a forma carinhosa com que ela trouxe ao mundo a minha primeira filha, e o fato dela ser uma das poucas médicas competentes de Salvador que ainda faz parto por convênio de saúde. Pois a média de parto por aqui tem variado entre R$4.000,00 (cesárea) a R$7.000,00 (normal). E para ser bem sincera, não disponibilizo dessa quantia, apesar de achar justo que um obstetra que passe horas acompanhando uma mãe em trabalho de parto seja bem remunerado por isso.

Eu poderia também fazer meu pré-natal com ela e aguardar o parto natural para fazer em algumas das maternidades da cidade com o médico plantonista… Mas tudo deu tão certo da outra vez, gosto tanto da minha médica… Entendo que ela não poderia largar todo um turno de atendimento no consultório para ficar a minha disposição numa sala de parto. Não seria justo. E depois de muita conversa, optamos por marcar o parto com 39 semanas. Os argumentos foram, além de eu estar passando MUITO mal nesse fim de gestação (pressão baixíssima, enjoos, náuseas…), a pouca quantidade de leitos de obstetrícia na cidade (verdadeira, mas nunca vi ninguém com convenio ficar sem parir…) e a disponibilidade da própria médica.

Aí você sai do consultório já se sentindo meio culpada, chateada por intervir na natureza (na verdade eu nao me importaria nem um pouco com outro parto cesárea, mas sim no aspecto de não esperar um sinal de minha bebê), e ainda tem que dar satisfação pra família e amigos, que tem comentários variados, desde: você que tá querendo se livrar logo da barriga e não tem paciência pra esperar a hora da menina; ou, por que não espera pelo menos completar 40 semanas; ou ainda, que bom mesmo é marcar porque chega para o parto linda, escovada e de unhas feitas…

Nenhum destes reflete o meu real sentimento com tudo isso. Isabela vai chegar, a princípio, numa data programada, com 39 semanas, ou seja, já toda formadinha, para uma família que a aguarda muito, cheia de amor e expectativas para a sua chegada.

E isso só já me convenceu que tudo dará certo, e que o julgamento dos outros (e meu mesmo) em nada deve interferir nesse amor maior e mais puro que sinto por Bela. Se estou errada, é na imensa vontade de acertar.

Beijos, filha. Mamãe te ama!

Beijos a todos, Lika.

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